De arrepiar

Num daqueles momentos em que eu assistia a vários vídeos, de coreografias e danças diferentes, percebi que algumas me arrepiam. Não falo de emocionar, encantar, impressionar, mas arrepiar mesmo. Quando o meu corpo reage diante de tamanha grandeza.

Assim, comecei a pensar quais momentos fazem isso comigo. E notei algumas semelhanças. Primeiramente, quando tal reação acontece, eu assisto tantas vezes a ponto de quase decorar a coreografia. Depois, são sempre coreografias em grupo. Ainda não existiu um solo que causasse em mim tamanha comoção. O motivo? Sinceramente, não sei.

Separei três momentos, de três danças diferentes.

O lago dos cisnes, segundo ato, coda
Não importa a montagem, tampouco a companhia, eu sempre me arrepio com este momento. É impressionante. Já assisti a várias versões e, entre uma e outra, praticamente não há mudanças na coreografia, talvez porque ela é perfeita tal como é.

Onqotô, do espetáculo Onqotô, Grupo Corpo
Assisti pela primeira vez no documentário Grupo Corpo 30 anos e achei que minha reação tivesse sido por conta da primeira impressão. Que nada. Perdi a conta das vezes que assisti e, não adianta, quando termina eu estou arrepiada. Sei trechos de cor e às vezes mantenho meu foco nas partes que gostaria de dançar. Parece loucura, eu sei.

Astúrias, no filme Ibéria, de Carlos Saura
Também assisti pela primeira vez quando comprei o DVD do filme Ibéria, de Carlos Saura. Achei incrível. E revi tantas vezes que até o MP3 da música consta da minha trilha sonora. Claro que não tem a mesma emoção, o sapateado do flamenco pulsa dentro da gente. O final me arrebata e, pronto, me arrepio. A coreografia começa “para valer” em 1’30”.

Alguém notou que, das três coreografias, em duas há homens dançando? Tema para um post em breve.

Lecuona

Tenho uma relação estranha com algumas obras artísticas: eu me apaixono antes mesmo de conhecê-las de perto, de assistir completo, até que um dia isso acontece. E então vira amor.

Foi o que aconteceu com Lecuona, do Grupo Corpo.

Eu conhecia trechos do espetáculo, por conta do YouTube. Infelizmente, não pude ir à apresentação mais recente em São Paulo, ano passado. Triste. Mas ontem, enfim, eu assisti ao DVD e fiquei estarrecida. E não estou exagerando.

De 2004, o título é o sobrenome do músico cubano Ernesto Lecuona, autor das canções. A obra consiste em vários pas de deux e uma formação de grupo no final. Cada canção realmente parece contar uma história: o casal de bailarinos, o figurino, a cor, a iluminação, a coreografia, tudo se encaixa. Parece que os corpos cantam. É belíssimo!

Não preciso dizer que meus olhos marejaram, preciso?

Para apreender a grandeza de Lecuona, é preciso assistir completo, do começo ao fim. Mas para aguçar quem ainda não viu, aqui estão dois dos meus pas de deux preferidos. O primeiro me fez chorar, o segundo me faz suspirar.

Espero, mesmo!, que o Grupo Corpo reapresente Lecuona porque não posso passar pela vida sem assisti-lo pessoalmente. Além disso, descobri uma coisa importante: preciso falar mais sobre produções brasileiras neste blog. E logo.

Aliás, as companhias brasileiras poderiam seguir o exemplo e lançar seus espetáculos em DVD, com making of e tudo o mais. É muito importante, tanto para o público em geral quanto para os bailarinos e estudantes. Nós precisamos também de referências nacionais.

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Em 2009, eu fiz um post sobre o documentário Grupo Corpo 30 anos. Quem quiser ler, aqui.

Corpo Escola de Dança

Eu sabia que existia, mas não sabia nada além disso. Depois de encontrar, por acaso, o Twitter do Grupo Corpo (@grupocorpo), descobri o blog da Corpo Escola de Dança.

Há cursos regulares, oficinas, encontros, mostra de alunos. Há o curso de dança clássica, mas também a modalidade “dança livre para adultos”. Será que não podemos nos matricular nos outros cursos? Mesmo assim, queria estudar lá.

Bailarinas de Belo Horizonte, aproveitem por mim!

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O blog da escola, aqui.

Documentário: Grupo Corpo 30 anos

Eu descobri o documentário por acaso, numa das minhas pesquisas sobre o Grupo Corpo. Como eu tenho uma certa resistência à dança contemporânea, comecei a assistir para ver se gostava. Até que comprei o DVD.

Assisti ontem e é muito bom, e por vários motivos. Primeiro, para entendermos como funciona uma companhia brasileira. Temos referências de fora, mas raramente entendemos como é o processo artístico do nosso país. Segundo, para nós é bacana ver a formação clássica dos bailarinos do Grupo Corpo. Para fazer parte da companhia, todos devem ter essa formação e, não só, eles têm aulas de ballet clássico sempre. E por quê? Para conseguirem acompanhar as coreografias dificílimas tecnicamente. Acreditem, é tudo muito difícil! E lindo de ver.

Mas uma coisa espetacular, que nunca tinha visto e achei muito inteligente: o grupo tem uma sede. Nessa sede, um teatro. Todas as aulas e ensaios são feitos no palco. Ou seja, o Grupo Corpo trabalha, o tempo todo, em cima do palco. Só quem já ensaiou numa sala de aula e depois teve de ensaiar, no dia da apresentação, num palco três vezes maior, sabe a dificuldade de adaptação do espaço. Sabe a diferença entre “olhar para o espelho” e “olhar para a plateia”. E é demais vê-los no palco o tempo todo.

Por enquanto, perdi a minha implicância com a dança contemporânea. Preciso assistir mais, ver mais, pesquisar mais, para saber se não é um encanto específico com o Grupo Corpo. E, mesmo que seja, é de um imenso orgulho saber que no Brasil existe uma companhia desse porte, dessa qualidade técnica e com um trabalho artístico impecável.

E, como não poderia deixar de ser, aqui está a minha coreografia preferida do filme, aquela que entrou na minha lista de “Quero dançar um dia”.

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Quem quiser saber mais sobre o Grupo Corpo, acesse www.grupocorpo.com.br