Mais adiante, farei um post falando sobre algumas mudanças que, lentamente, vêm acontecendo no ballet clássico mundo afora. Mas hoje, falarei apenas sobre a Odette e a Odile construídas pela Evgenia Obraztsova.
Crescemos com a ideia de grandes cisnes, longos braços, altivez em cena. Uma pequena bailarina jamais faria os dois papeis com propriedade, especialmente se nela reside uma certa doçura ou delicadeza. Assim foi até o momento em que Evgenia pegou essas duas personagens e, sem brigar ou querer ser a bailarina que não é, fez ambas com propriedade. Agora, é possível imaginar um cisne branco tão delicado e um cisne negro sensual sem perder a medida.
Os vídeos não são do ballet completo, mas apenas dos momentos em que a Evgenia Obraztsova dança. Vale muito a pena mesmo assim.
“O lago dos cisnes”, de Vladimir Bourmeister, Stanislavsky Ballet.
Para assistir às demais partes: [2] [3] [4] [5] [6]
Lembram sobre lidar com o próprio preconceito? Estou aprendendo a lidar com o meu. Graças a isso, minha pequena lista de bailarinas preferidas ganhou mais um nome.
Matéria sobre Evgenia Obraztsova e sua estreia como primeira-bailarina do Bolshoi Ballet no papel de Kitri, em Dom Quixote. As poucas entrevistas estão em russo, mas não faz diferença.
Eu não tenho mais coragem em dizer que uma pequenina não pode ser primeira-bailarina. E isso é excelente para mim.
Nem sempre paramos para pensar a respeito, mas o que dizemos talvez não condiga com aquilo que achamos de verdade. Muitas vezes, nosso discurso nos trai.
Isso acontece quando dizemos: “Ballet clássico é para todo tipo de bailarina”, mas só nos encantamos quando a bailarina é magra. “Eu não suporto ballet acrobático”, mas sonhamos com uma perna que suba até a orelha. “Podemos dançar em qualquer idade”, mas o nariz se retorce quando uma mulher mais velha se aventura no ballet.
Todo mundo tem o seu calcanhar de Aquiles. A sua fraqueza. Eu descobri a minha sem querer. E, o mais engraçado, é que ela me atinge diretamente. Querem ver?
Até outro dia, Evgenia Obraztsova era solista do Kirov Ballet. De família de bailarinos, sua vida sempre foi a dança. Ela é uma das minhas grandes inspirações não apenas pela técnica impecável, mas por ser pequenina. É a mais pura identificação.
No começo de fevereiro, ela foi anunciada como a mais nova primeira-bailarina do Bolshoi Ballet. Qual foi o meu primeiro pensamento? “Ela é pequena demais para ser primeira-bailarina do Bolshoi!”
Eu tenho 1,50m. Era para eu achar isso incrível, mas não. Na minha cabeça, uma primeira-bailarina tem de ser, ou parecer, alta e longilínea. Ainda mais em uma companhia russa. Nunca gostei de Odettes pequenas, porque um cisne precisa ser grande, no sentido amplo da palavra. Tal qual uma primeira-bailarina.
Evgenia Obraztsova, Variação de Giselle, primeiro ato, “Giselle”, Kirov Ballet.
Como duvidar da grandeza dessa bailarina, alguém me diz?
Senti uma profunda vergonha de mim. Estava depondo contra a minha própria pessoa. Não apenas isso, mas eu me diminuo justamente por achar que grandes bailarinas precisam ser… grandes. Nunca briguei com minha altura na vida cotidiana, mas sempre briguei com ela no ballet clássico. Até que um ex-professor disse a frase mágica: “Cássia, aceite a sua altura.” Eu realmente preciso aceitá-la, mas também preciso tirar da mente essa ideia de um perfil ideal para ser bailarina clássica. Não basta eu ter o discurso, é preciso mudar o meu próprio preconceito.
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Sei que vocês irão comentar e enumerar várias bailarinas mais baixas, mas a maior parte delas parece ser alta no palco. Não é o caso da Evgenia.
Ballerina é um documentário sobre o dia a dia de cinco bailarinas russas: Diana Vishneva, Svetlana Zakharova, Ulyana Lopatkina, Alina Somova e Evgenia Obraztsova.
Ainda não o assisti e, provavelmente, vários de vocês já o conheçam. Mesmo assim, o trailer.
Assisti a este trecho do espetáculo em vários meios, tanto no Facebook quanto no Tumblr. Eu nunca tive um grande amor pela Odile, não sou fã da sua variação tradicional, mas agora…
Alguém que entenda de O lago dos cisnes poderia me explicar por que essa coda e as variações masculina e feminina são diferentes das outras? E essa música não me é estranha… Acho que ando assistindo a repertórios demais.