O debute de Evgenia

Lembram sobre lidar com o próprio preconceito? Estou aprendendo a lidar com o meu. Graças a isso, minha pequena lista de bailarinas preferidas ganhou mais um nome.

Matéria sobre Evgenia Obraztsova e sua estreia como primeira-bailarina do Bolshoi Ballet no papel de Kitri, em Dom Quixote. As poucas entrevistas estão em russo, mas não faz diferença.

Eu não tenho mais coragem em dizer que uma pequenina não pode ser primeira-bailarina. E isso é excelente para mim.

As coadjuvantes

Geralmente, nossa atenção se volta às protagonistas. É raro alguém se apaixonar pelas coadjuvantes. Não confundam, não estou falando das variações das solistas, mas dos papéis feitos pelas primeiras-bailarinas, mas que estão em segundo plano.

Selecionei algumas, as minhas preferidas.

Fada Lilás, A Bela Adormecida

Detentora da bênção mais poderosa, ela quem salva Aurora da morte, transformando o feitiço de Carabosse em sono profundo. Presente nos quatro atos do ballet, ela quem guia toda a história para um desfecho feliz. Para mim, Marianela Nuñez é a Fada Lilás perfeita.

Marianela Nuñez, Variação da Fada Lilás, A Bela Adormecida.

Mercedes, Dom Quixote

Noiva de Espada, líder dos toureiros. Ambos são amigos de Kitri e Basílio. Além de ter uma bela variação, Mercedes também dança na taberna. Ela comanda a cena!

Anastasia Lifentseva, Cena da Taberna, Dom Quixote.

Henriette, Raymonda

Amiga de Raymonda, dança tanto quanto a protagonista e está em cena boa parte do tempo. Dona de três variações, uma em cada ato, a minha preferida é a terceira. Quem quiser dançar uma variação a menos, ainda há o papel de Clemence, a outra amiga. Eu dançaria ambas.

Dorothée Gilbert, Variação de Henriette, terceiro ato, Raymonda.

Myrtha, Giselle

Alguém consegue imaginar o ballet Giselle sem ela? Responsável pelos momentos mais tensos, Myrtha é o ponto-chave do segundo ato. Mesmo sendo a personificação da vingança, temos de admitir: ela é incrível.

Marianela Nuñez, Entrance e Variação de Myrtha, Giselle.

O mais importante

Há uma série de assuntos que tratarei nos próximos dias. Para repensar algumas coisas, principalmente em relação ao ballet clássico.

Mas antes, comecemos pelo princípio. Às vezes, perdemos muito tempo falando, elucubrando, questionando e esquecemos o mais importante: dançar.

Eu sempre me emociono no final de Dom Quixote. Para mim, é uma grande celebração à dança. E não podemos jamais perder isso de vista.

Celebremos.

Variação de Kitri

Variação que toda bailarina nasce sabendo qual é (ou pelo menos deveria). O bacana é que, neste caso, há duas mudanças de perspectiva: a filmagem aconteceu diretamente do palco, então vemos o momento em que a bailarina se prepara e entra em cena; e ela não usa o famoso leque. Sinceramente? Gostei mais assim.

Evgenia Obraztsova, Variação de Kitri, Gala Lopatkina

Um dos grandes “problemas” em estudar segundo o Método Vaganova é que as russas se transformam em nossas referências. A minha, por enquanto, é a Evgenia Obraztsova. Melhor tomar cuidado, Aurélie!

O sonho de Dom Quixote

Sou apaixonada pelo ballet Dom Quixote há bastante tempo e a Kitri/Dulcinea é o meu grande sonho de bailarina.

Poderia enumerar vários momentos importantes para mim, mas sempre lacrimejo no sonho de Dom Quixote. Acho lindíssimo! Especialmente a coda. Mentira, eu não lacrimejo, eu choro mesmo.

E a Dulcinea tinha de entrar em cena em uma sequência de grand jeté? Eu até suspiro.