mas não desaprende a andar de bicicleta?
Acabei de ler um texto da neurocientista Suzana Herculano-Houzel em que ela explica isso. Ela contou que voltou a jogar vôlei depois de vinte anos. E disse o seguinte:
“Custou entrar para um clube perto de casa e ser arrastada para a quadra por uma amiga dos tempos da escola, mas foi: vinte anos mais tarde, descobri que ainda sei jogar vôlei! Santos núcleos da base e córtex motor, que guardaram os programas necessários bem guardadinhos esses anos todos.
“Felizmente esse tipo de aprendizado e a memória correspondente, chamada de procedimentos, são diferentes dos outros, como informações novas que colocamos em palavras. Para essas, não há muito perdão: quanto menos elas são acessadas, maior a chance das conexões correspondentes irem se enfraquecendo com o tempo, cedendo lugar a outras – e maior a chance de caírem assim no esquecimento.
“Com os procedimentos, não. O que você não sabe colocar em palavras, mas sabe fazer – e sobretudo se aprendeu antes da adolescência – fica guardadinho lá, em circuitos aparentemente bem mais estáveis.
“Bom, quase todos – e é tentando que a gente descobre o que desaprendeu.”
Suzana Herculano-Houzel, trechos de Vinte anos mais tarde… eu ainda sei jogar vôlei! Para ler o texto completo, aqui.
E o que isso tem a ver com o ballet? Tudo. Quantas pessoas fizeram ballet na infância, pararam e voltaram a dançar tempos depois? Ou ainda, aquelas que querem voltar, mas desistem, porque afirmam que esqueceram tudo?
É justamente o contrário. Quem começou bem cedo tem mais facilidade do que quem começou mais tarde, feito eu. Aquelas pessoas que já voltaram a dançar, fiquem tranquilas, há uma porção de informações guardadas aí dentro. Já quem quer voltar, mas reluta, não está na hora de mostrar o que foi aprendido há tanto tempo? Depois de ler esse texto, quisera eu ter começado quando criança. De verdade.
