O voo

Provavelmente, vocês já assistiram ao comercial “O voo”, da Air France, com os bailarinos Benjamin Millepied e Virginie Caussin, e  coreografia de Angelin Preljocaj.

Eu sabia dessa informação, mas ainda não tinha visto a coreografia completa. Dia desses, a Daniela Disnard a publicou na página do blog no Facebook. O nome é “Le Parc”, dançada neste vídeo por Manuel Legris e Aurélie Dupont. O trecho do comercial pode ser visto aos 5’24”.

Impossível não se emocionar. Fico muito feliz quando vejo a dança dessa forma na propaganda. É esse o alcance da dança: apenas um minuto faz qualquer pessoa suspirar pelo resto do dia.

Você seria primeira-bailarina de qual companhia?

Outro dia, falarei sobre frustração (aquela real, que atrapalha a nossa vida na dança), mas hoje quero falar daquela frustração “fictícia”. Como reconhecê-la? Basta pensar que as chances do seu desejo acontecer são de 0000000,1%. Mesmo assim, podemos sonhar um pouco em plena manhã de quinta-feira.

Vamos lá, respondam a pergunta: Se vocês pudessem escolher ser a primeira-bailarina de uma grande companhia, de qual vocês seriam? Pode ser de qualquer lugar.

A minha resposta é fácil! Eu seria primeira-bailarina da Ópera de Paris. Na verdade, o posto máximo da companhia recebe o nome de étoile. As primeiras-bailarinas são um posto abaixo disso. Mesmo assim, é apenas uma questão de terminologia.

Assistam à Ludmila Pagliero sendo nomeada étoile da Ópera de Paris, no dia 22 de março de 2012, ao lado da minha querida Aurélie Dupont.

Ela é argentina. Eu espero estar viva para ver uma brasileira conseguir o mesmo feito. Quero ver alguém do meu país no lugar onde eu não pude chegar.

“Bailarina tem de ser novinha!”

“É preciso ser nova para dançar ballet clássico!” Por favor, antes de concordar ou discordar da afirmação, ou colocarem suas ressalvas, assistam aos vídeos a seguir.

Aurélie Dupont, 2012, aos 39 anos.

Sylvie Guillem, 2011, aos 46 anos.

Margot Fonteyn, 1970, aos 51 anos.

Maya Plisetskaya, 1986, aos 61 anos.

Sim, todas elas têm muitos anos de treino, mas vejamos um pouco além. Elas mostram o quanto estão bem capazes fisicamente. Não só, vemos aí o auge da maturidade artística.

Por isso, antes de proferir qualquer crítica a respeito de quem começou depois dos 20 e poucos anos, estudem história do ballet clássico. Isso ajuda, e muito!, a argumentar com propriedade. De “eu acho” o mundo já está cheio.

O Adágio da Rosa

Se pensarmos nos ballets de repertório, geralmente os seus trechos mais famosos são variações ou grand pas de deux. Às vezes, um pas de quatre, como o de “O lago dos cisnes”.

Posso estar enganada, mas em “A Bela Adormecida”, nenhuma parte é tão famosa quanto “O Adágio da Rosa”, momento em que Aurora dança com quatro príncipes no seu aniversário de 16 anos.

Não sou uma fã ardorosa desse ballet, mas esse adágio é um dos poucos momentos de Aurora que eu gostaria de dançar.

Margot Fonteyn, Royal Ballet, 1955.
(Infelizmente, falta o começo da coreografia.)

Aurélie Dupont, Ópera de Paris, 2000.
(O entrance de Aurora veio de brinde.)

Sofiane Sylve, Dutch National Ballet, 2003.

Alina Cojocaru, Royal Ballet, 2006.

Essas quatro são as minhas montagens e bailarinas preferidas para essa coreografia. Quem quiser ver outras:

  • Svetlana Zakharova, Bolshoi Ballet, 2011. Para assistir, aqui.
  • Maria Kochetkova, San Francisco Ballet, 2005. Para assistir, aqui.
  • Ulyana Lopatkina, Kirov Ballet. Para assistir, aqui.

Observação: Eu especifiquei a companhia da qual cada bailarina faz, ou fez, parte. Nem sempre essa companhia corresponde à montagem em questão.

Os meus pas de deux preferidos

Não faz muito tempo, fiz um post com os vídeos das minhas variações preferidas. Agora, os meus pas de deux preferidos. Eles também já apareceram por aqui vez ou outra, mas agora estão reunidos em um único post.

Pas de deux cisne negro, O lago dos cisnes, Vladimir Bourmeister.

Essa é a música da primeira versão do pas de deux do cisne negro feita pelo Tchaikovsky, que foi modificada mais tarde. Em 1956, Bourmeister resgatou a versão original e criou essa belíssima coreografia, que consegue demonstrar perfeitamente como Odile seduz Siegfried. É o meu pas de deux preferido. Não canso de assistir e sonho, realmente, em dançá-lo um dia.

Pas de deux final, Branca de Neve, Ricardo Cué.

Sabe aquela coreografia que é impossível assistir sem sorrir? É como eu vejo esse pas de deux da Branca de Neve. Ele é encantador.

Pas de deux negro, A dama das camélias, John Neumeier.

Para mim, esse pas de deux fala por si só, não é preciso assistir ao ballet completo para entender claramente a relação entre Marguerite e Armand. Ele sempre me emociona.

E quais são os pas de deux preferidos de vocês?