Marguerite

Bailarina sem maquiagem e sem adorno nos cabelos, esta parece ser uma foto do ensaio. Isso não tira a beleza da imagem, tampouco a força em cena da Diana Vishneva.

Diana Vishneva, em A dama das camélias. Foto: Nikolay Krusser.

city.ballet.

Produzido e apresentado pela atriz Sarah Jessica Parker, em conjunto com a AOL, city.ballet. é um documentário em 12 episódios sobre o New York City Ballet. O objetivo é mostrar os bastidores da companhia.

Eu assisti a todos os episódios, na sequência. Quando li que a intenção era mostrar a “realidade”, fiquei com o pé atrás. Nenhum programa, nenhum documentário, nenhuma reportagem, nada mostra as coisas como elas são. Há sempre um olhar que determina o caminho de uma história a ser contada.

Pois eu me surpreendi. No começo, há o grande clichê da vida árdua e competitiva dos bailarinos, mas ao longo dos episódios, eles não escolheram o caminho fácil do drama, da choradeira, da superação dos limites. Encontraram o equilíbrio e realizaram um grande trabalho.

Para fazer parte do New York City Ballet, é necessário estudar no The School of American Ballet (SAB), a escola oficial da companhia. Os recém-formados se tornam apprentices (aprendizes) por um ano. Dentre eles, saem os novos membros do corpo de baile, que assinam um contrato e são oficialmente profissionais. O próximo passo é ser solista até, finalmente, ser um dos principals (primeiros-bailarinos). Não é preciso dizer que nem todos conseguem e muitos serão do corpo de baile até pararem de dançar.

Além de conhecer cada uma dessas etapas, também vemos sobre os relacionamentos entre os bailarinos, o sacrifício em prol da dança, os bailarinos homens, a parceria no pas de deux, três bailarinas analisando os papéis principais de O lago dos cisnes, as lesões que afetam o desempenho e a carreira dos bailarinos e a conclusão.

Depois da Ópera de Paris, a minha segunda companhia do coração é o New York City Ballet. Ambas funcionam da mesma maneira: ninguém entra como primeira-bailarina. Na Ópera, ainda há audições para o corpo de baile; no City Ballet, nem isso. Há um caminho a ser percorrido, quem chega ao topo um dia foi da base. Em outras companhias, não funciona dessa forma. Todos já foram corpo de baile, mas não necessariamente na companhia onde são primeiros-bailarinos. Gosto dessa ideia de construir uma história em um único lugar, porque a companhia passa a ser maior do que os bailarinos. Quando os bailarinos são maiores, o ego e a vaidade tomam conta.

Além disso, todo o repertório do New  York City Ballet é original. Não são remontadas obras criadas em outros lugares, tudo nasce e cresce ali dentro. OK, a companhia foi fundada pelo George Balanchine, toda a sua obra faz parte do New York City Ballet, mas não há apenas ballets coreografados por ele. As companhias ao redor do mundo estão cada vez mais parecidas entre si, remontando as mesmas obras, e é um alento ver uma se sobressair pela originalidade do seu repertório.

Voltando ao documentário, sinceramente, mudei a maneira de enxergar o ballet profissional. Para mim, a soberba imperava, mas ali vemos bailarinos que são desafiados constantemente, com autoestima abalada por terem de provar, o tempo todo, o quanto são bons. É triste ver uma bailarina se achar enfadonha porque só fala sobre ballet ou um bailarino contar o quanto é horrível ouvir piadas por ser homem e dançar.

Também gostei da sinceridade em vários momentos. Uma bailarina do corpo de baile disse: “É difícil ver outra pessoa dançando o que você quer tanto dançar”. Outra contou: “Às vezes, você tem certeza que será promovida e isso simplesmente não acontece”. E uma das primeiras-bailarinas disse: “Há tantas outras melhores do que eu, por que eu sou principal? Não sei!”.

Para além de tamanha dedicação, vemos pessoas normais, que saem para passear, sentem angústia quando pensam que vão parar de dançar, não sabem o que será dali em diante. Nada de artistas perfeitos, acima do bem e do mal. O ponto comum é o amor pela dança e pelo que fazem. No fim, sentimos o “tudo isso vale a pena”.

Sem exageros, essa é a melhor produção sobre ballet profissional que já assisti. Infelizmente, os vídeos são em inglês, sem legendas. Mas quem entender minimamente o idioma, por favor, assista.

Para assistir:

• No site do city.ballet., integralmente, aqui. O primeiro episódio começará sozinho e os demais serão exibidos na sequência.

Aulas de companhias de dança

Uma aula de ballet clássico segue, basicamente, a mesma estrutura: barra, centro e diagonal. Além dos métodos, a diferença reside apenas na organização do conteúdo; os passos, sequências e combinações vão ficando mais difíceis na medida que o estudo avança.

No começo do blog, expliquei a diferença entre curso regular e curso livre. No primeiro caso, as aulas são estruturadas de maneira absolutamente didática e há um determinado número de passos a serem aprendidos. Não importa se você é excelente em saltos, não aprenderá um mais difícil até mudar de ano. No segundo, há uma mobilidade maior, os professores podem ir adiante se a turma corresponder devidamente.

Em ambos os casos, é possível chegar ao limite do aprendizado. E dali em diante, como funciona?

Todos sabemos que bailarinos profissionais fazem aulas de ballet clássico todo santo dia. Mas eles não têm mais nada para aprender, certo? Eles mantêm e aperfeiçoam o que aprenderam. Ballet é rotina, e para o resto da vida.

Por isso, uma aula para bailarinos profissionais é um pouco diferente. Como não há as limitações de aprendizado (anos ou níveis) é possível fazer quaisquer combinações. Não por acaso, essas aulas se assemelham a muitas coreografias que conhecemos. Parece que, enfim, o estudo é voltado não para a execução dos passos, mas para o dançar.

Eu fiz aulas tanto no curso regular quanto no livre; tive três professoras e um professor. Gostei das aulas de todos, mas gostava especialmente das aulas do professor. Não entendia por que a aula dele era diferente, até o momento em que assisti a uma aula de uma companhia de dança. Estava explicado: ele é bailarino profissional e trazia para as aulas a sua própria experiência.

Na época, eu estava no nível intermediário. O professor mantinha os passos e sequências próprias para esse nível, mas as combinações eram diferentes. Eu sentia que realmente estava dançando. Só sinto por não ter acompanhado as aulas como deveria; saía muito cedo de casa, atravessava a cidade para chegar ao estúdio, morria de sono na aula porque virava a noite trabalhando, mas tudo bem. Aprendi muito e sou grata por isso. Desde então, o meu amor pelas aulas das companhias de dança só cresceu.

Escrevi o texto para publicar esta aula do Bolshoi Ballet realizada em uma das salas do Royal Opera House, em agosto de 2013. Que delícia de aula! Quisera eu estar lá.

P.S. Não sou professora de ballet, tampouco bailarina profissional. Se houver qualquer bobagem ou incongruência no texto, por favor, não hesitem em me corrigir.

Vem, gente!

Vocês lembram quando existia a página do blog no Facebook? Depois de quase dois anos, eu a apaguei porque dava um imenso trabalho mantê-la da melhor maneira: publicar informações diariamente, responder comentários e publicações dos leitores, contornar as grosserias que surgiam…

Por outro lado, havia uma troca muito bacana e isso foi perdido. Quem mais sentiu falta dessas conversas no Facebook foi a Jaqueline, leitora do blog, que volta e meia comenta sobre isso. Entendia o lado dela, mas eu não queria mais responsabilidade nas minhas costas. Então, eu tive uma outra ideia.

Eu faço parte de dois grupos de discussão no Facebook e aprendo muito. Em um deles, comento sempre e me sinto em casa. Ontem eu pensei: Por que não criar um grupo de discussão? E assim foi.

Vocês sabem como funciona? Todos os inscritos podem publicar e comentar. O grupo é fechado, eu tenho de autorizar os participantes, mas apenas para não sair do controle. Vocês poderão publicar, comentar, trocar informações e eu vou apenas moderar a coisa toda. Claro, vou publicar também, mas agora a responsabilidade de mantê-lo ativo não será apenas minha, ela será compartilhada.

Quem quiser participar: https://www.facebook.com/groups/dospassosdabailarina.

O blog continuará igual, com todas as informações, vídeos e textos. O grupo de discussão é apenas um espaço para dialogar e trocar ideias. Quem não quiser participar, tudo bem, apenas perderá as nossas longas conversas sobre ballet clássico.

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