Prix de Lausanne

Ontem aconteceu a 40ª edição do Prix de Lausanne, uma competição internacional para jovens bailarinos, de todas as nacionalidades, com idades entre 15 e 18 anos. O objetivo é auxiliar a carreira desses jovens, com bolsas de estudo em escolas de grandes companhias ao redor do mundo. Esses custos são bancados por empresas patrocinadoras.

Quem acompanha o blog, deve desconfiar que não sou fã dessas competições. Primeiro, porque acho muito cruel. A pressão, a ansiedade, a concorrência, ser avaliado em poucos dias. Segundo, competições podem gerar uma disputa desmedida, ainda mais em pessoas tão jovens. O mundo é assim? Eu sei, mas continuo achando cruel e insensato. Mas, confesso, eu tenho um grande apreço pelo Prix de Lausanne. Quando vejo aqueles bailarinos cheios de esperança e dedicação, querendo ser profissionais com tanto ardor, eu me emociono. Especialmente, porque o grande prêmio ali é estudar, não ganhar um troféu para colocar na estante dos estúdios de dança. Por isso, o Prix de Lausanne tem toda a minha admiração.

As bailarinas brasileiras Larissa Santos e Thamires Chuvas aparecem nesse vídeo. Eu fico tensa só de olhar essa banca, que dirá elas. E eu torci tanto pela Thamires na final… Ela estava linda!

A final foi transmitida ao vivo pela internet. Eu acompanhei quase todas as apresentações de clássico e algumas de contemporâneo. Também assisti à entrega dos prêmios. No geral, foram selecionados sete bailarinos brasileiros (quatro meninas e três rapazes), três foram para a final (Thamires Chuvas, Daniel Silva e Edson Barbosa) e um deles, o Edson Barbosa, ficou em terceiro lugar e ganhou uma bolsa de estudos.

Além de talentoso, o Edson Barbosa é uma simpatia! Não dá vontade de ser amiga dele?

Analisando a lista de vencedores desde 1973, há nomes que conhecemos muito bem:

1980 Alessandra Ferri, Itália (bolsa de estudos)
1981 Leanne Benjamin, Austrália (bolsa de estudos)
1984 Viviana Durante, Grã-Bretanha (prêmio em dinheiro)
1986 Darcey Bussell, Grã-Bretanha (prêmio em dinheiro)
1986 Julie Kent, Estados Unidos (bolsa de estudos)
1987 José Martinez, Espanha (bolsa de estudos)
1989 Ethan Stiefel, Estados Unidos (prêmio em dinheiro)
1990 Carlos Acosta, Cuba (medalha de ouro)
1992 Laetitia Pujol, França (bolsa de estudos)
1994 Benjamin Millepied, França (prêmio em dinheiro)
1994 Diana Vishneva, Rússia (medalha de ouro)
1995 Gillian Murphy, Estados Unidos (Prix de Lausanne “Hope”)
1997 Alina Cojocaru, Romênia (bolsa de estudos)
2002 Maria Kochetkova, Rússia (bolsa de aprendizagem)
2003 Steven Mc Rae, Austrália (bolsa de estudos)

E os brasileiros nessa história? Oito bailarinos foram vencedores ao longo de todas as edições. É interessante notar como o tempo entre uma vitória e outra está diminuindo. Sem contar os brasileiros selecionados para participar e, além disso, os que também foram finalistas. Ou seja, a nossa qualidade técnica tem crescido de uns tempos para cá.

1990 Christiane Palha (Prix de Lausanne “Hope”)
1993 Adriana Dias Duarte (bolsa de estudos)
1996 Marcelo Gomes (Prix de Lausanne “Hope”)
2003 Celisa Diuana (bolsa de aprendizagem)
2008 Marcella de Paiva (bolsa de estudos)
2008 Irlan Silva (bolsa de aprendizagem)
2011 Mayara Magri (bolsa de estudos + prêmio do público)
2012 Edson Barbosa (bolsa de estudos)

É impossível negar a importância do Prix de Lausanne para a profissionalização dos bailarinos. Só uma coisa me intriga: Por que mesmo com tantos bailarinos japoneses – e, em menor grau, chineses e coreanos – vencedores, não os vemos nas grandes companhias? Quem quiser notar isso, basta conferir a lista de todos os ganhadores ao longo dos anos, aqui. Mas isso é questionamento para um outro dia.

Parabéns aos bailarinos brasileiros que participaram e, em especial, ao Edson Barbosa bolsa de estudos. Talvez vocês achem que não, mas ficamos aqui torcendo muito por vocês. Ganhando ou não, são bailarinos que nos enchem de orgulho e beleza.

Site oficial do Prix de Lausanne, aqui.
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YouTube, aqui.

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Quem quiser assistir à final de 2012, aqui.

Eu tenho (tantos) anos, ainda posso ser bailarina profissional?

Eu não comentei sobre os resultados da segunda pesquisa do blog, mas eles irão influenciar vários posts por aqui. Além de leitores bem jovens, 44% têm menos de 18 anos, 41% querem ser bailarinos profissionais. Ou seja, é impossível fugir do assunto.

Volta e meia alguém pergunta se é possível ser profissional mesmo tendo começado mais tarde. Esse “mais tarde” quer dizer “adolescência”.

Para começar, o que você entende por bailarino ou bailarina profissional? Vamos deixar a palavra sonho um pouco de lado e pensar como as coisas realmente funcionam. Sonhar com ballets de repertório é uma coisa. Trabalhar de segunda a segunda para uma companhia de dança é outra.

Como é o mercado de dança no Brasil, você sabe? Não. Como é o mercado de dança no exterior, você sabe? Não. Qual é o perfil exigido pelas principais companhias brasileiras de dança, você sabe? Não.

“Cássia, eu não preciso saber tudo isso, eu só preciso dançar.” Não precisa? Aí você, que tem 1,50m e três anos de dança, vai prestar audição em uma grande companhia. Não passará nem pela pré-seleção e vai chorar perdidamente, dizendo que o mundo é ingrato e ninguém entende o seu grande sonho na vida.

O mundo não é Billy Elliot. No filme, ele diz que a dança é como eletricidade no seu corpo e passa na melhor escola de dança. Diga isso em uma audição para você ver o que acontece…

Voltando à pergunta do título: Eu posso ser profissional mesmo tendo começado tarde? Pode. Mas a pergunta deve ser outra. Você terá o perfil profissional exigido pelas companhias? A grande questão não é começar tarde, mas conseguir alcançar um determinado nível técnico e artístico para trabalhar na área. Entendeu a diferença?

Pense como profissional. Em outras áreas, também há exigências e ninguém reclama. Pesquise as companhias que te interessam, leia sobre os bailarinos que as compõem, assista a vídeos dessas companhias, vá aos espetáculos. Estude sobre as possibilidades profissionais que um bailarino pode ter.

Você pesquisou e concluiu que não se encaixa em nada disso? Crie seu próprio meio de trabalho. O blog existe há quase três anos. Durante todo esse tempo, apenas uma pessoa comentou que começou tarde, mas será profissional sim e criará sua própria companhia. Eu disse uma! Claro que criar uma companhia é difícil, muito mais do que se imagina, mas pode ser uma possibilidade.

Depois de tudo isso, o mais importante é: você quer mesmo ser bailarino ou bailarina profissional? Pense seriamente a respeito. Analise as possibilidades. Estude. Se realmente quer, siga em frente sem medo de ser feliz. Mas transforme o sonho em objetivo. Sem isso, você nunca sairá do lugar.

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Outros posts:

  • Quando o “se” tem muita força. Para ler, aqui.
  • O sonho de ser bailarina profissional. Para ler, aqui.
  • Vamos esclarecer uma coisa. Para ler, aqui.

Bolshoi Brasil: processo seletivo 2012

Estão abertas as inscrições para o processo seletivo do Bolshoi Brasil.

De acordo com o site, “os candidatos inscritos e pré-indicados nessa audição passam por um exame realizado por profissionais de saúde e por professores de dança nos dias 28, 29 e 30 de outubro deste ano, na sede da Escola Bolshoi em Joinville/SC.”

“Para essa seleção que acontece em outubro, os candidatos com até 11 anos de idade não precisam ter conhecimento em dança.”

Para ler o edital, sua retificação e fazer a sua inscrição, aqui.
Para mais informações: (47) 3422-4070 ou secretaria@escolabolshoi.com.br

Querem ter uma ideia de como é a seleção? O primeiro vídeo mostra a etapa médico-fisioterápica, o segundo, a etapa artística.

Boa sorte! E quem passar, depois venha contar a novidade.

O Bolshoi é Nosso (2)

No fim do ano passado, eu falei sobre o Bolshoi é Nosso, programa de doações para a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Quem quiser recordar, clique aqui.

Eu fiz a minha doação e, quando doamos, recebemos esta carta de agradecimento. Hoje eu recebi a minha por email.

Para ler, clique na imagem.

Confesso, bateu uma emoção de saber que, agora sim, um pouco de mim está lá também.

As doações podem ser feitas o ano todo. Vamos aproveitar e começar o ano superbem? Para saber como doar, clique aqui.

O Bolshoi é Nosso

Bolshoi é Nosso é um programa de doações criado com a intenção de captar recursos para auxiliar na manutenção das atividades da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Acreditamos que da união de instituições, órgãos públicos, empresas e o cidadão comum, pode nascer uma nova perspectiva para crianças e adolescentes, pois a cultura é uma das grandes aliadas da sociedade na inclusão social.”

O que isso significa? De agora em diante, todos podemos fazer doações para a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil.

Quantas vezes nós, bailarinas adultas, olhamos os alunos na escola e pensamos: “Por que não comecei antes?”. Não é incrível imaginar que se nós começamos, podemos ajudar o sonho de quem começou? Já pensaram que, daqui uns anos, veremos grandes bailarinos brilhando lindamente no palco e teremos a certeza de ter contribuído para isso?

É importante lembrar que 98% dos alunos têm bolsa de estudos. Essas doações são a garantia da continuidade. Eu me emociono, de verdade, só de pensar.

Como fazer a sua doação:
Cartão de crédito, boleto bancário ou débito em conta corrente. As doações podem ser únicas ou mensais de R$ 10, R$ 30, R$ 50 ou outro valor estipulado pelo doador. Para contribuições mensais, o parcelamento só pode ser feito pelo cartão de crédito. Caso queira de outra maneira, a doação terá de ser feita mensalmente, ou seja, o procedimento será repetido a cada mês.

Vamos doar e contribuir para a formação desses bailarinos? Eu fiz a minha doação. Agora, um pouquinho de mim também está lá.

Para mais informações, aqui.