Whatever Lola Wants

“Não sou capaz. Nunca serei.”
“Desista então.”
“Por que não me mostra como se faz?”
“Porque não somos iguais. Lola, eu não posso te ensinar a ser você mesma. [...] Dance para você, não para eles. [...] Veja toda a energia que você está desperdiçando. Pegue essa energia e use-a. Use tudo o que está vivendo. Não fuja dos seus sentimentos. [...] Use o seu corpo. Seja o seu próprio instrumento. Mostre-me o seu interior.”

Ismahan para Lola, no filme Whatever Lola Wants.

Eu soube deste filme por conta da minha ex-professora de dança do ventre. Ela publicou o link no Facebook e eu resolvi guardá-lo para assistir quando tivesse tempo. E ele me tocou de tal maneira que resolvi compartilhar com vocês.

Lola trabalha nos correios de Nova York e faz aulas de ballet clássico. Ela é muito dedicada e sonha em ser profissional, mas se vê obrigada a trabalhar em algo que não gosta. Além disso, está com 25 anos, “tarde demais” para vislumbrar algo além. Graças ao seu amigo, ela descobre a história de Ismahan, uma grande bailarina egípcia.

Em Nova York, ela se apaixona por um egípcio que acaba voltando para o seu país. Lola resolve ir atrás dele no Egito e, bem… Para conhecer o restante da história, vocês terão de assistir.

“Whatever Lola Wants” nos mostra o poder transformador da dança. Não importa qual seja ela, quando a dança é algo genuíno em nós, ela nos move. Mesmo que a sua dança não seja a do ventre, é impossível não se ver na história da Lola.

Quem quiser ter uma ideia, assista ao trailer.

O filme completo, legendado em português, pode ser visto no YouTube, aqui.

Ganhei meu domingo, minha semana, meu mês, meu ano por conta do que acabei de assistir…

O voo

Provavelmente, vocês já assistiram ao comercial “O voo”, da Air France, com os bailarinos Benjamin Millepied e Virginie Caussin, e  coreografia de Angelin Preljocaj.

Eu sabia dessa informação, mas ainda não tinha visto a coreografia completa. Dia desses, a Daniela Disnard a publicou na página do blog no Facebook. O nome é “Le Parc”, dançada neste vídeo por Manuel Legris e Aurélie Dupont. O trecho do comercial pode ser visto aos 5’24”.

Impossível não se emocionar. Fico muito feliz quando vejo a dança dessa forma na propaganda. É esse o alcance da dança: apenas um minuto faz qualquer pessoa suspirar pelo resto do dia.

Você seria primeira-bailarina de qual companhia?

Outro dia, falarei sobre frustração (aquela real, que atrapalha a nossa vida na dança), mas hoje quero falar daquela frustração “fictícia”. Como reconhecê-la? Basta pensar que as chances do seu desejo acontecer são de 0000000,1%. Mesmo assim, podemos sonhar um pouco em plena manhã de quinta-feira.

Vamos lá, respondam a pergunta: Se vocês pudessem escolher ser a primeira-bailarina de uma grande companhia, de qual vocês seriam? Pode ser de qualquer lugar.

A minha resposta é fácil! Eu seria primeira-bailarina da Ópera de Paris. Na verdade, o posto máximo da companhia recebe o nome de étoile. As primeiras-bailarinas são um posto abaixo disso. Mesmo assim, é apenas uma questão de terminologia.

Assistam à Ludmila Pagliero sendo nomeada étoile da Ópera de Paris, no dia 22 de março de 2012, ao lado da minha querida Aurélie Dupont.

Ela é argentina. Eu espero estar viva para ver uma brasileira conseguir o mesmo feito. Quero ver alguém do meu país no lugar onde eu não pude chegar.

O grand pas de deux das fitas

Vamos começar a semana com um dos grand pas de deux mais delicados do ballet clássico? Ele consegue ser uma graça e, ao mesmo tempo, ser tão emocionante no momento das fitas. Sem falar na Lise mais Lise de todas: a Marianela Nuñez.

Lindo é pouco.

Grand pas de deux, La fille mal gardèe, Royal Ballet, 2005.
Carlos Acosta e Marianela Nuñez.

Etiqueta em sala de aula

Vou contar algo que talvez deponha contra mim, mas quando eu era criança, eu adorava ler livros sobre etiqueta. Minha mãe era assinante de uma revista feminina e sempre havia alguma coleção sobre um assunto específico. Foram vários livrinhos sobre etiqueta e eu li todos. Para mim, era o máximo, porque aquilo significava uma coisa: ter educação.

Etiqueta nada mais é do que um conjunto de normas de conduta. É uma maneira de vivermos bem, e educadamente, em sociedade. No mundo do “sou mais eu”, isso está bem fora de moda.

Por isso, pensem na minha alegria quando encontrei, no site da Gaynor, uma lista de “condutas não permitidas” nas aulas de ballet clássico. Não só, quem faz compras pelo site pode pedir um pôster com algumas regras de etiqueta e esta ilustração.

Ilustração: Andrea Selby. Fonte: Gaynor Minden.

Esta é a lista de violações de etiqueta nas aulas de ballet. Ela foi retirada do site da Gaynor Minden e todos esses erros aparecem na ilustração (para vê-la em tamanho maior, basta clicar na imagem).

  • Conversar, sussurrar ou rir.
  • Usar roupas rasgadas, sujas ou em mau estado.
  • Usar roupas, inclusive polainas, que fiquem caindo.
  • Usar joias e bijuterias grandes.
  • Beber (exceto água).
  • Ligar um ventilador ou abrir uma janela sem permissão.
  • Tirar fotografias sem permissão.
  • Ficar assistindo [à aula] da porta da sala.
  • Sentar ou se pendurar nas barras fixas.
  • Pendurar roupas ou bolsas nas barras fixas.
  • Falar ao telefone.
  • Mandar mensagens de texto.
  • Comer.
  • Colocar a mão ou se apoiar no piano.
  • Mascar chicletes.
  • Demonstrações de afeto [leia-se, beijos e chamegos entre namorados].
  • Pés descalços (na aula de ballet).
  • Usar sapatos e roupas “da rua” em aulas de ballet.
  • Coreografar os seus próprios passos.
  • Entrar na aula com atraso.
  • Sair da aula mais cedo.
  • Se posicionar na frente da primeira pessoa na barra.
  • Usar botas de aquecimento nos exercícios de centro [isto aqui].
  • Ficar de mão dada ou entrelaçar os cotovelos com um colega de classe.
  • Ouvir o seu iPod ou MP3 player.
  • Figurinos [claro que isso não se refere aos ensaios].
  • Animais de estimação.
  • Usar collants sensuais.
  • Mau odor corporal ou perfume forte.
  • Cabelos longos soltos ou longos rabos de cavalo.
  • Sem camisa [claro que ela está falando dos rapazes].
  • Bolsas muito grandes.
  • Não ajudar a mudar as barras de lugar.
  • Cochilar.
  • Usar chapéus.

A lista em inglês, aqui.
O pôster, aqui.
Para ler o capítulo do livro “The Ballet Companion”, de Eliza Gaynor Minden, que fala sobre o assunto, aqui.

Sinceramente, eu concordo com todos esses itens (apesar de alguns nem sempre se aplicarem a nós, como essas botas de aquecimento). Não vou dizer que nunca cometi algumas dessas gafes, tampouco acho que devemos levar tudo a ferro e fogo, mas evitar essas condutas facilita a vida de todo mundo na sala de aula. E é bom ressaltar: não vale apenas para alunos, mas também para professores.

E há alguma coisa que vocês acham que deveria estar nessa lista e não está? Eu tenho: gritar e levantar a voz. Acho isso o cúmulo da falta de respeito e educação.