Os braços e as mãos

“Mas, somente a habilidade em encontrar a posição adequada para seus braços produz a finesse da artística expressão do bailarino, e alcança a harmonia completa para a sua dança.” (Agrippina Vaganova, Princípios básicos do ballet clássico, p. 60.)

Não faz muito tempo, falei que presto atenção nos pés para aprender melhor sobre os movimentos. Dia desses, eu reassisti ao DVD de uma das minhas apresentações de dança. Por incrível que pareça, o que mais me incomodou não foram os meus passos, mas os meus braços. Não havia nem fluidez tampouco delicadeza.

Quando falamos sobre os membros superiores, há dois aspectos. Primeiro, as posições dos braços: cinco no método Royal (além do bra bas, demi-seconde e demi-bras) e três no método Vaganova (além da preparatória). Depois, os port de bras, que são os movimentos dos braços. São os mais difíceis de serem feitos com perfeição, mas são eles os mais importantes na dança.

Aurélie Dupont, Psyché, Ópera de Paris, 2011.
Não precisamos ver o restante do corpo para reconhecer uma grande bailarina. Os braços, as mãos e a cabeça dizem tudo.

No começo do estudo no ballet, aprendemos as posições, mas elas só entram nos passos um tempo depois. Os port de bras entram bem mais tarde. Eu só fui realmente estudá-los quando comecei as aulas de intermediário. Entendo a dificuldade de reunir cabeça, braços, pernas e todo o resto, mas não sei até que ponto é bom aprendermos de maneira tão espaçada. Porque daí acontece o seguinte: enquanto as pernas e os pés estão muito bem, os braços e as mãos estão completamente fora de lugar. Quem sabe fosse melhor aprender os movimentos juntos, para que o domínio de ambos caminhasse de mãos dadas.

Querem estudar os movimentos dos braços? Todo mundo poderá estudar em casa sem medo de sofrer uma lesão. Este vídeo é uma amostra do DVD Use Your Arms & Dance!, de Finis Jhung.

Quem quiser ler mais sobre o assunto, a bailarina Jeanette Delgado, do Miami City Ballet, fala no blog da companhia sobre a importância dos braços nos ensaios do coreógrafo Alexei Ratmansky. Inclusive, ela ensina alguns exercícios. Em inglês, aqui.

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18 opiniões sobre “Os braços e as mãos

  1. Tive uma professora de ballet que se preocupava absurdamente com os nossos braços e quando troquei de academia me assustei que não fosse nem parecido o tratamento que a outra professora dava a eles. As melhores bailarinas da sala faziam coisas incríveis com as pernas, eram todas rasgadas e tudo o mais, mas os braços… A verdade é que bailarinas tem que ser completas, adorava a postura dessa minha professora porque por mais que a gente se embolasse ela não abria mão de corrigir tudo, inclusive os braços e mãos, e por isso mesmo nós aprendemos demais com ela, o que quer que fizessemos ficava limpo, apesar de nem sempre conseguirmos atingir as nossas expectativas com os saltos e as pontas.

  2. OK, agora acho que entendi: é, por exemplo, uma posição de braços não estar bem colocada pela falta de atenção que a gente dá a eles?

    Tenho que passar a marcha, tô lenta rs.

    Beijocas!
    (olha gente, não arruma confusão por minha causa não! calma!)

    • Cyndi, vou explicar direitinho: o post fala sobre duas coisas, posições dos braços e port de bras. Por isso citei as posições tanto do método Royal quanto do Vaganova, e depois falei sobre a importância dos port de bras, que nada mais são que os movimentos dos braços. Ambos fazem parte da técnica clássica, tanto que constam de qualquer estudo em qualquer método que se escolha. Nem todo mundo segue o Royal e tem aula de acordo com graus. Há quem siga o esquema: básico, intermediário e avançado. Por isso o vídeo do Finis Jhung, para aprendermos melhor essa movimentação, o tal port de bras.

      Eu falei sobre braços, mãos e cabeça na legenda da foto da Aurélie Dupont porque ela está toda bem-colocada. Se eu citasse apenas as mãos e os braços, fatalmente alguém ia aparecer e perguntar: “Mas e a cabeça dela?” Eu quis sanar um problema e acabei criando outro.

      Ninguém brigou por sua causa. Eu percebi uma leve confusão da sua parte, mas não comentaria nada, porque não seria necessário. Ainda mais que você teve a delicadeza de publicar um vídeo a esse respeito. Mas como a Daisy utilizou o seu comentário para fundamentar o próprio comentário, infelizmente, tive de falar sobre o seu. ;)

      Grande beijo.

  3. A Cindy,entendeu muito bem o que falei.Tanto que havia citado o quarto grau da royal;Ao qual ela também referiu-se.A minha experiencia de mais de 20 anos de ensino não me deixou mentir.

    • Daisy, não precisa se ofender. A Cyndi entendeu o que você falou, mas não o que eu disse no post. Em momento algum eu desmereci a expressividade, tampouco coloquei à prova a sua experiência como professora. A questão é: o meu post versa sobre técnica clássica, especificamente sobre os movimentos dos braços. Só isso.

  4. O trabalho dos braços é o que na maioria das vezes desenvolve a expressividade e musicalidade.
    Sem os braços os movimentos de cabeça parecem mecânicos.
    Como trabalhar os braços sem desenvolver a expressividade? eles desabrocham juntos.

  5. Ao ler seu post, não pude deixar de lembrar do belo trabalho com o tronco e os braços da atriz Natalie Portman no filme Cisne Negro.

    • Gabriela, bem lembrado! Aqueles braços, tronco, cabeça, olhar… Uma bailarina perfeita! E isso em apenas um ano e meio de trabalho. É inspirador.

      Grande beijo.

  6. Cássia sou professora e concordo com vc. Em minhas aulas busco dar atenção aos dois ao mesmo tempo, mas não é nada fácil, pois os alunos se frustram pois tem que pensar em muitas coisas, mas minha maneira de pensar está mais para formar um bailarino inteligente que pense muito desde o ínicio, ainda que no início a técnica não fique muito limpa, pois aos poucos com a repetição tudo vai indo pro lugar ao mesmo tempo. Quando quero limpar um movimento faço de frente para barra!
    Vi o vídeo e li o texto! Ameeei muito claro !
    Parabéns pelo incentivo de seus posts!

    • Polyana, muito bacana saber que nas suas aulas você busca dar atenção aos dois ao mesmo tempo. Às vezes, os professores se preocupam tanto com a limpeza do movimento logo no começo e, no fim das contas, nem aprendemos o passo, nem o movimento tem a limpeza necessária. Falo como aluna: quando sabemos como fazer, é muito mais fácil limpar o movimento depois.

      Grande beijo.

  7. Hmm, deixa eu ver se entendi: você fala de usar braços, pernas e cabeças em conjunto?
    Isso eu só tô vendo de um “jeito maior” agora, no grau 4 da Royal.
    O port de brás é bem mais elaborado do que os anteriores, e nós usamos mais port de brás na barra.

    Alías, é lindo o port de brás do 4!!!

    Repara que dá pra ser bem expressivo com ele, se quiser.
    (tentei achar um vídeo melhor, mas não deu. esse tá um pouquinho diferente do que o que a gente faz lá na academia…)

    Beijocas!!
    ps.: quando eu assisti a meu DVD, a única coisa que eu notei eram meus braços. eu parecia uma magrela desengonçada que nunca tinha feito ballet antes! tsc tsc tsc

  8. Sim,os braços fazem um grande trabalho. Percebi que olho muito mais os braços e as mãos das bailarinas que as pernas e os pés. Mas como você mesma disse tem que olhar os pés também. Estou aos poucos reeducando o meu modo de ver as coisas.

    • Priscila, no começo, eu olhava mais os pés por conta do que contei no outro post. Depois de um tempo, percebi que os braços e as mãos me atraíam, porque davam o acabamento da dança. Quando vi meus braços duros e sem graça, pronto! Me dei conta da importância disso. E com o tempo a gente reeduca mesmo o modo de ver as coisas e passa a ter outra percepção.

      Beijos.

  9. Mais uma vez vou dizer que o seu blog é muito util para (o)as estudantes de ballet.Voce esta referindo-se a expressividade.Que vai sendo desenvolvida no decorrer do curso de ballet clássico que demora no mínimo dez anos.Não existe esta expressividade em uma pessoa que esta no baby-class ou no preparatório para adultos,ou qualquer outra faixa etária.Nós professoras(res) só visualizamos isto depois de uns cinco anos de ballet.Ou seja no método londrino a partir do quarto grau(lá já existem os studys(estudos de pequenas danças,aonde trabalhamos maravilhosamente o espaço cênico);aí sim já existe o arabesque que deve sugerir levesa).Sim Cassia,é claro que uma grande bailarina é reconhecida,entre tantos outros predicados pela expressividade.
    Mas,não esqueça que existem pessoas mais expressivas que outras.Assim uma grande bailarina também pode desenvolver-se mais na parte técnica ,do que ,na parte expressiva.

    • Daisy, eu não estou me referindo à expressividade, isso foi tema de outro post. Estou falando de técnica clássica, por isso cite posições dos braços e port de bras. Claro, como toda técnica, leva-se tempo para dominá-la, mas acho que os professores deveriam dar atenção aos braços da mesma maneira que dão aos pés. Como sabemos, não é assim que acontece.

      Beijos.

  10. Sem dúvida Cássia, os braços e os movimentos fluídos conferem um encanto muito próprio à dança…. mas para uma iniciante como eu confesso que ainda é dificil tentar acertar nos passos… e nos braços :)

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