O pé ideal

No post passado, terminei o texto questionando se um pé forte e um colo de pé absurdo são, de fato, as melhores características para dançar na ponta.

Perguntei já sabendo a resposta. Eu me surpreendi quando descobri, porque é diferente do que aprendemos nas escolas de dança.

[...] há várias formas de pontas, e elas dependem da constituição do pé do bailarino. O mais confortável para dançar em pontas é um pé cujos dedos sejam de tamanho igual, como se fossem “cortados do mesmo tamanho”, com um peito do pé baixo e sólido, e um forte tornozelo.

O pé que normalmente consideramos belo, isto é, um que tenha um arco alto, um tornozelo fino e bem torneado, dedos corretamente agrupados, torna-se difícil de executar movimentos nas pontas, especialmente aqueles que requerem saltos sobre elas.

Agrippina Vaganova, Princípios básicos do ballet clássico, p. 134.

Você, cara bailarina, que sempre foi menosprezada por ter aquele colo de pé sem graça, que cansou de ver suas colegas se vangloriando por serem parentes distantes da Sylvie Guillem, que ouviu mil vezes que não nasceu com pé de bailarina: parabéns! A Vaganova estava ao seu lado.

Brincadeiras à parte, não beira o absurdo imaginar a tortura pela qual nós bailarinas passamos para desenvolver um colo de pé que, na verdade, atrapalhará no desenvolvimento da técnica clássica?

Em relação ao tornozelo, de nada adianta um pé forte que não tem a menor sustentação. O lado bom é que dá para desenvolver um tornozelo forte e até quem já nasceu com essa característica pode se beneficiar dos exercícios para fortalecê-lo. Não apenas facilita o dançar nas pontas como diminui, e muito, o risco de lesões. Para fortelecer pés e tornozelos, há exercícios aqui e aqui.

Já sobre o tipo de pé, é aquela história: ou você nasceu com o pé quadrado, que facilita a distribuição do peso entre os dedos, ou não. Quer entender sobre os tipos de pé? Clique aqui. Mas não precisa se entristecer caso tenha nascido com um dedão proeminente (como eu!), o mundo das pontas está bem avançado e há sapatilhas específicas para cada tipo de pé e curvatura. Elas estão aí para facilitar a nossa vida.

E, por fim, como bem disse Vaganova (na sequência da mesma página):

Entretanto, mesmo que tal pé não seja, a priori, adaptado para pontas, como o requerem as regras do ballet, ele pode ser ajudado por um diligente trabalho visando uma melhor produção [...]

Resumindo: o estudo, a persistência, o treino e a tecnologia existem para que alcancemos o ideal de pé. O resto é dedicação de cada bailarina.

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18 opiniões sobre “O pé ideal

  1. ter o peito do pe avantajado e melhor para ficar nas pontas? queria saber pois meu pe e reto na frente nao faz aquela curvinha de bailarina, o que eu fasso tem um exercicio q deixa o pe mais forte ou mais desenhado como o de outras bailarinas? por favor agradeco quem puder me responder obg bjoss amo o blog

  2. Tipo eu danço na ponta mas eu não consigo fica muiiiito na ponta eu tombo , não tenho um peito do pé de bailarina será que isso que interfere ?

    uso sapatilha de ponta para iniciantes

  3. Gente, não tenho quase nenhum colo de pé, danço na ponta e com a sapatilha que eu uso meu pe não fica bonito vcs poderiam me indicar uma especifica para pes como o meu??

    • Sapatilha Annie da Só Dança ela é excelente para quem não tem muito colo de pé. Recomendo.

  4. o meu problema é que eu tenho, muuuuito mas muuuuito messsmo colo de pé mesmo, e meus pés são muito fortes, pra subir na ponta ele fica tombando e quebra sapatilha muito rapido, não encontrei a sapatilha certa… alguma dica?

    • Carol, você pode tentar a marca de sapatilhas, capézio. Que é bem forte, e não quebra facil, mais se você já tentou, e quebrou, pesquise sua professora ou outro profissional.

      Bianca.

    • Carol, se você tinha a partner estudante, ela é feita bem mole, para que as iniciantes, não machuquem seu pé e consigam bom desempenho. A minha quebrou, e minha prof, me recomendou uma da Milleniun, qualquer uma deles é dura, e sustenta. A Adágio e a Balance são ótimas. Existe também uma que se chama Gaynor Minden, ela é feita de elastômetro. Um material que simplesmente não quebra. O problema é não ser vendida no brasil, e ter um valor elevado. Apesar de ser eterna, ela estraga o tecido(lógico).Então recomendo comprar a da Milleniun, que você encontrara mais fácil. Beijos e boa sorte.

    • Experimente a Toshie da Só Dança, achei muito boa quando usei…

    • Sim, Sarah, é normal. ;) Essa curva mostra que você tem um bom colo de pé e há bailarinas que tentam durante anos ter o mesmo que você. Pode ficar tranquila.

      Grande beijo.

  5. Isso é absurdo. Sempre ouvi que a ponta perfeita tem que ter o peito do pé bem curvado. Os professore não podem continuar agindo como leigos,como se o ballet fosse algo à parte do mundo. Quando na verdade tu está integrado. Engraçado que a minha mãe( Leiga. Será?) diz que acha mais bonito aquela ponta mais “reta”. Encaixa o quadril,curva esse pé… Onde vamos parar com tanta despreparação?

  6. Eu, antes de comprar minha 2a sapatilha, li e reli várias coisas sobre tipo de pé, etc. Já tinha ouvido falar que não é lá uma grande maravilha ter colo bonito, como dizem que tenho. Mas na verdade, isso nunca me deixou “orgulhosa” ou confiante a ponto de me achar melhor. Esforço-me do mesmo jeito, afinal, ter um colo de pé – mesmo que isso fosse bom – não indica que eu seja uma grande bailarina naturalmente, né. Tem que estudar e treinar! E muito.

  7. Hurra hurra viva!! para os mil tipos de sapátilha, senão eu estaria dançando somente moderno, rs

  8. Normalmente quem tem colo de pé avantajado não tem muita força na musculatura do pé e é difícil encontrar equilíbrio entre a tendência de “puxar para frente” do colo e a força da palmilha “muito dura” puxando para trás. Tive uma professora excelente e que, para dançar sur la pointe, usava sapatilha hiper mole. Só assim ela encontrava o balance e não machucava os joelhos. Já a filha dela tinha o mesmo colo de pé, mas uma musculatura tão forte que precisava de palmilha reforçada para dançar. Enfim, cada caso é um “causo”.

    • Karin, no fim das contas, ambas tinham dificuldade por terem colo de pé avantajado, exatamente como Vaganova falou em 1934. E ambas só conseguiam dançar justamente pelo fato da variedade de sapatilhas que se adaptam à necessidade de cada bailarina. Talvez o seu comentário tenha mais a ver com tópico anterior, quando falei sobre a relação entre arco de sustentação e dureza de sapatilhas.

      Beijos.

  9. Querida Cássia
    Tenho o pé quadrado, ainda quase sem colo (sim, não tenho colo!! nem sei se irá se desenvolver), mas me falta força nos tornozelos.
    Para ser mais específica, me falta muita força no tornozelo esquerdo, que torci duas vezes correndo (quando era mais nova). A recuperação nunca é igual… é meu ponto fraco, é onde terei que desenvolver mais… paciência e muito trabalho pela frente.
    Mas fiquei super feliz com a definição da Vaganova!!!!! Um bom início,não?
    Beijos
    lelê

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